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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O COMEÇO DE TUDO - 3º Capítulo



Encerrando a série de textos sobre os primórdios do Rabello Futebol Clube, hoje falaremos do Acampamento da Rabello.

O ACAMPAMENTO DA RABELLO

A NOVACAP - Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil foi criada em 19 de setembro de 1956, pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, com o objetivo específico de planejar e executar serviços de localização, urbanização e construção da futura capital do Brasil. A empresa, presidida por Israel Pinheiro da Silva, foi responsável por saúde, educação e lazer, abastecimento, segurança e transporte, finanças, telecomunicações e habitação, cultura, água e luz.
O núcleo pioneiro do comércio, das indústrias e de serviços para dar apoio e sustentação às obras de construção de Brasília ficou conhecida como "Cidade Livre" (Núcleo Bandeirante a partir de 20 de dezembro de 1961). Ela surgiu, efetivamente, em 19 de dezembro de 1956, sendo a primeira área destinada a abrigar os trabalhadores pioneiros. Teria um caráter provisório para o tempo que durassem as obras de construção da futura Capital, ou seja, um máximo de quatro anos. Assim, os lotes destinados ao comércio, às indústrias e às atividades de serviços seriam arrendados, em comodato, a título precário e pelo prazo máximo de quatro anos. Como forma de incentivo, todas as atividades seriam, ali, livres de impostos e taxas de qualquer natureza. Daí a cidade vir a se chamar Cidade Livre, por ser livre de encargos fiscais.
Logo depois surgiu, da instalação das construtoras, em acampamentos nas imediações das obras que realizavam no Palácio da Alvorada, Eixo Monumental leste e Praça dos Três Poderes, o local conhecido hoje como Vila Planalto.
Nessa época a Vila Planalto ocupava uma área que extrapola em muito a atual. O conjunto se estendia desde o local agora ocupado pelos Anexos dos Ministérios, do Senado Federal e do Palácio do Planalto, atravessando os Setores de Embaixadas e Clubes Norte, indo até perto do Palácio da Alvorada. O Lago Paranoá cobriu parte de alguns desses acampamentos.
A Rabello e a Pacheco Fernandes Dantas foram as primeiras firmas, ainda em 1956, a se instalarem longe da Cidade Livre para construírem, respectivamente, o Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel. Ao término dessas obras, seus acampamentos foram transferidos para a Vila Planalto.
Com o início das obras na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios, a NOVACAP permitiu que outras construtoras erguessem, simultaneamente, seus acampamentos em locais próximos aos já existentes.
Em pouco tempo, já estavam construídos aproximadamente 22 acampamentos ao redor do conjunto de obras, prioritário para a ocupação da cidade.
O Acampamento da Rabello era um dos que mais tinha infraestrutura, chegando a contar com cinema, farmácia, posto médico e odontológico, igreja, campo de futebol e clubes (separados entre clube dos operários e dos engenheiros).

O campo do Rabello ficava onde é hoje o espelho d’água do Palácio da Alvorada.
A busca de lazer e de entretenimento levou os empregados de uma grande parte desses acampamentos a descobrirem o futebol. As “peladas” começavam a fazer parte do quotidiano de Brasília. Como em toda parte, cercadas de grande animação. Partidas sensacionais, entusiasmo fora do comum e neste diapasão as horas se passavam, fazendo esquecer as tristezas determinadas pela ausência dos familiares, que aos poucos começavam a chegar a Brasília.
O amor que dedicavam ao futebol era tão grande que passou a despertar o interesse dos donos das construtoras.
Aos times das construtoras se juntaram os times dos órgãos filiados a NOVACAP, animados por um grupo de entusiasmados e com experiência em outros centros.
Tudo isso motivou os empregados das outras construtoras a também criarem seus times, que em pouco tempo chegaram a 18.
Os times com alguma organização passaram a brotar nas empresas construtoras e estas não poupavam esforços em apoiar os aficcionados, pressentindo que encher um caminhão de gente aos domingos e levar para os campos de terra batida seria o único meio de impedir as bebedeiras e brigas na zona de baixo meretrício, que reduziam a produtividade nas segundas-feiras e às vezes redundavam até em morte. A maioria dos trabalhadores morava e fazia refeições nas obras e como o pagamento da jornada semanal de trabalho era aos sábados, começavam, então, as farras naquele dia.
Essa iniciativa também era um meio de promoverem os nomes de suas firmas na grande batalha de erguer Brasília.
As empresas construtoras compravam o material necessário e descontava nos salários dos trabalhadores, dando, em contrapartida, o transporte (normalmente um caminhão) para levá-los e trazê-los de onde fosse o jogo. Quem se destacasse nas peladas dos campos junto às obras era recrutado para o time da construtora, embora continuasse trabalhando. Por isso, atletas veteranos que haviam sido profissionais ou aqueles em início de carreira em clubes do Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente, sabendo que encontrariam emprego em Brasília se fossem bons de bola, não pensaram duas vezes em se aventurar.

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